DTCC lança tokenização de ACÕES

Capa: DTCC lança tokenização de ações com 20 clientes a bordo

A The Depository Trust Company (DTC), subsidiária da DTCC, colocou no ar o DTCC Tokenization Service (DTS). O serviço permite que usuários elegíveis criem representações tokenizadas de valores mobiliários custodiados na própria DTC — a infraestrutura que liquida operações de ações nos Estados Unidos.

O que o serviço faz

O DTS converte papéis entre a forma tradicional e a tokenizada. Os tokens podem ser transferidos para carteiras digitais e mantêm os mesmos direitos de propriedade e proteções aos investidores que as versões tradicionais, segundo o comunicado divulgado na quarta-feira.

  • conversão nos dois sentidos: tradicional para tokenizado e vice-versa;
  • transferência dos tokens para carteiras digitais;
  • direitos de propriedade e proteções mantidos;
  • integração inicial com a Canton Network e com a rede privada Besu da DTCC.

Quem está dentro

A empresa informou que 20 clientes já assinaram acordos para acessar o serviço. Entre os nomes citados estão Alpaca, Citadel Securities, Citi, Clear Street, DriveWealth, Fidelity Investments, Interchange Clearing e JPMorgan.

O tamanho da base explica o peso da novidade: a DTC tem mais de US$ 114 trilhões em ativos sob custódia, entre ações e fundos negociados em bolsa. Tokenizar parte desse estoque não é criar um mercado paralelo — é conectar um mercado já existente a uma nova camada de registro e liquidação.

O caminho até o lançamento

O serviço não saiu do nada. Em dezembro de 2025, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos emitiu uma carta de “não ação” (no-action letter), indicando que não recomendaria medidas de fiscalização contra a subsidiária em relação ao programa de tokenização proposto.

Em maio, a DTCC disse que planejava lançar a negociação de valores mobiliários tokenizados em outubro de 2026, depois de um piloto feito em julho. O cronograma foi cumprido. Para 2027, a empresa planeja adicionar outras redes blockchain além das duas atuais.

A DTCC não detalhou, porém, os critérios de elegibilidade dos usuários — quem exatamente pode criar os tokens, e sob quais condições. Esse é o ponto que falta para saber o tamanho real do alcance do serviço no primeiro momento.

Conclusão

Tokenização de ações deixou de ser promessa de startup e passou a rodar na mesma casa que liquida o mercado americano há décadas. A empresa chama o serviço de “caminho prático” para a adoção de valores mobiliários tokenizados, e a expressão é justa: em vez de substituir a infraestrutura existente, ela ganha uma camada compatível. Se a integração com outras redes chegar em 2027 como planejado, o próximo passo é ver se o volume migra de fato — ou se o tokenizado continua sendo uma minoria elegante dentro do estoque tradicional.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos envolvem alto risco.

Fonte: Cointelegraph Brasil (reportagem original)

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