Ormuz pega fogo e o bitcoin nem pisca

Capa: Ormuz pega fogo, bitcoin não reage

Onze navios foram atacados no Estreito de Ormuz na semana encerrada em 6 de novembro, e três afundaram. O bitcoin caiu 0,32% em 24 horas.

Dois projéteis atingiram a ilha de Qeshm na noite de sexta, e os Estados Unidos bombardearam defesas antiaéreas iranianas. Trump chamou de “ataques menores”. O mercado cripto chamou de nada.

O que está acontecendo

  • 11 navios atacados perto de Ormuz na semana até 6 de novembro, segundo a agência britânica UKMTO;
  • 3 afundaram, e o total chega a 88 ataques desde o recomeço das hostilidades, em julho;
  • trânsito despencou: 170 saídas e 155 entradas na semana, cerca de 65% abaixo do nível antes da guerra;
  • petroleiro em chamas no sábado, depois de bater em mina marinha, segundo a Marinha iraniana.

A Guarda Revolucionária também anunciou que levantou o limite de alcance dos próprios mísseis, que era de 2 mil quilômetros. O líder supremo, Mojtaba Khamenei, ordenou resposta sem restrição a qualquer ameaça dos EUA e de Israel.

O que o mercado fez

Praticamente nada. O bitcoin está em US$ 75,5 mil, com queda de 0,32% no dia. O ether recuou 0,19%. A solana caiu 1,32%, mas por motivos próprios, acumulando 7,14% de perda na semana.

É um contraste estranho. Um estreito por onde passa boa parte do petróleo do mundo virou zona de combate, e o ativo que se apresenta como proteção contra caos geopolítico ficou parado.

Infográfico do Ormuz
Números do Ormuz. (Fonte: UKMTO e CoinGecko, arte: CGBR.NET)

Por que a calma é estranha

Porque o canal da crise é justamente o que derruba cripto: petróleo caro vira inflação, inflação vira juro alto, juro alto seca liquidez. É a mesma cadeia que explicou a queda de sexta, quando o payroll saiu forte.

Só que o mercado está tratando o Ormuz como ruído regional. A pergunta é se está certo ou só atrasado.

O petróleo é o único indicador que interessa nesta semana. Se ele subir, o resto do mercado aprende a olhar para o Ormuz.

O que observar

  • Preço do petróleo: é o transmissor da crise para dentro do mercado cripto;
  • Reabertura do estreito: o Irã fala em sete exigências para liberar a passagem;
  • Mediação: o chanceler Abbas Araghchi conversou com 12 ministros em 48 horas, incluindo Omã, Catar, Arábia Saudita e Paquistão.

Conclusão

O bitcoin não subiu com a guerra e não caiu com ela. Isso diz menos sobre a tese da reserva de valor e mais sobre o momento do mercado: hoje ele se move por juro, não por geopolítica.

Quando o petróleo começar a cobrar a conta do Ormuz, a ordem muda. Quem quiser antecipar o próximo movimento do gráfico não precisa acompanhar o noticiário militar. Precisa acompanhar o barril.

Leia também: por que o mercado está sangrando; o que a eleição mudou em Washington.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos envolvem alto risco.

Fontes: Al Jazeera (dados da UKMTO) e CoinGecko para os preços de 7 de novembro

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