A Bitfarms, agora Keel Infrastructure, vendeu 2.520 bitcoins no terceiro trimestre e levantou US$ 192 milhões. No fim de setembro, o estoque de bitcoin era irrelevante.
Não foi aperto de caixa. Foi troca de negócio: a empresa desligou a mineração para virar fornecedora de energia e espaço para data center de inteligência artificial.
O que foi vendido
- 2.261 BTC que estavam em estoque de trimestres anteriores;
- 259 BTC minerados no próprio trimestre;
- US$ 192 milhões no total, com preço médio perto de US$ 76 mil por moeda.
A conta que explica a decisão
A receita de operações continuadas ficou em cerca de US$ 28 milhões no trimestre, contra US$ 68 milhões um ano antes. A queda tem duas causas declaradas: a parada deliberada da mineração nos Estados Unidos desde o segundo trimestre e o preço menor do bitcoin.
Em vez de esperar o bitcoin subir, a empresa preferiu vender a produção e usar o dinheiro para construir. A obra de Moses Lake começou em setembro e deve ser o primeiro site a receber energia e gerar receita de processamento de alto desempenho em 2027.
Minerar bitcoin virou o segundo melhor uso da energia. O primeiro é alugar essa energia para quem treina IA.

O tamanho do buraco
O trimestre fechou com prejuízo líquido de aproximadamente US$ 62,4 milhões nas operações continuadas e EBITDA ajustado negativo em US$ 27,4 milhões.
Do outro lado, a empresa diz ter cerca de US$ 780 milhões em caixa livre em 4 de novembro, e afirma não precisar de nova dívida ou emissão de ações antes de assinar os contratos de locação.
Por que isso interessa a quem tem bitcoin
Mineradora vendendo tudo não é sinal de preço. É sinal de concorrência: a mesma energia que roda máquina de mineração vale mais entregue a um data center de IA, que paga contrato de longo prazo e não depende do humor do mercado cripto.
Se a conta fecha para mais mineradoras, o efeito prático é menos poder de hash vindo de empresas listadas e mais pressão de venda de moedas que estavam guardadas. Nenhum dos dois é bom para o preço no curto prazo.
Conclusão
A Bitfarms virou Keel, vendeu o bitcoin e mudou de setor. O mercado vai olhar essa decisão como uma deserção, mas ela é bem mais simples: a empresa escolheu o cliente que paga mais pela mesma tomada.
Vale acompanhar quantas outras vão fazer o mesmo. Quando o segundo ou o terceiro maior fizer, deixa de ser notícia e vira tendência.
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Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos envolvem alto risco.
Fonte: BlockBeats, com dados do relatório trimestral da Keel Infrastructure
