O BTCPay Server, software que permite a qualquer comerciante receber bitcoin sem passar por um intermediário, pediu neste domingo que operadores desliguem os servidores. Motivo: relatos de carteiras quentes sendo esvaziadas por invasores.
É o segundo aviso do projeto em três meses.
O que o projeto pediu
Em publicação no X, o BTCPay pediu que quem roda uma instância a coloque offline com o comando de desligamento e a mantenha assim até o fim da investigação.
Até agora, o projeto não disse qual foi a causa, quantos servidores foram atingidos nem quanto foi levado. Também não informou se os ataques têm relação com as falhas corrigidas na semana passada.
Por que carteira quente é alvo fácil
Carteira quente é aquela cuja chave privada fica num servidor ligado à internet, para poder enviar fundos automaticamente. É o tipo usado para devolver troco ao cliente ou pagar uma saída na hora.
Essa conveniência cobra caro: quem consegue entrar no servidor consegue assinar transações. É o oposto de uma carteira fria, que fica offline e exige alguém presente para mover qualquer valor.
Números do caso. (Imagem: investingLive, arte: CGBR.NET)
O problema é do software em volta do bitcoin, não da rede bitcoin.
O histórico recente
29 de outubro: versão emergencial 2.4.7 corrigiu uma falha crítica e várias de risco médio;
agosto: invasores exploraram outra falha, roubaram credenciais da Lightning Network e drenaram nós que rodavam atrás do BTCPay, inclusive um operado pela fabricante de carteiras Foundation;
na época, o projeto disse que as carteiras on-chain padrão, incluindo as quentes criadas pelo próprio software, não tinham sido afetadas.
O alerta de agora é mais grave justamente porque aponta para o tipo de carteira que ficou de fora do problema de agosto.
O que fazer se você roda BTCPay
Se o servidor está no ar, desligue. Se você usa BTCPay só como comerciante e não administra o servidor, pergunte ao provedor se ele já tomou a providência.
E se havia saldo numa carteira quente do BTCPay, trate como comprometido até haver informação em contrário: mova o que sobrou para uma carteira fria, de preferência depois de tirar o servidor da rede.
Conclusão
O caso lembra uma verdade incômoda do mercado: a maior parte dos prejuízos não vem de quebrar a criptografia, e sim de alcançar o servidor onde a chave está guardada.
Para quem aceita bitcoin no comércio, a pergunta prática deixou de ser “qual carteira uso” e passou a ser “quanto eu deixo numa carteira quente”.
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos envolvem alto risco.