A indústria cripto gastou cerca de US$ 176 milhões em mais de 100 disputas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. A votação é nesta terça-feira, 3.
Não é campanha para convencer eleitor a comprar bitcoin. É compra de acesso.
Para onde vai o dinheiro
O Fairshake, maior comitê de ação política do setor, e suas afiliadas gastaram cerca de US$ 150,8 milhões até 20 de outubro. Outros grupos cripto somaram perto de US$ 25 milhões.
O comitê apoiou 58 candidatos em primárias e eleições especiais neste ano. Diz que 53 venceram e estarão na cédula na terça.
Em 2024, o mesmo Fairshake havia gastado US$ 196 milhões. Quem financia: Coinbase, Ripple e a gestora Andreessen Horowitz, entre outros.
Os anúncios não falam de cripto
Quase nenhum anúncio menciona criptomoeda. A maioria sai por comitês com nomes genéricos, como “Defend American Jobs” e “Protect Progress”, e o tema é imposto, imigração, taxa.
Eleitor não tem como saber quem pagou. É esse desenho que a Public Citizen, entidade que acompanha dinheiro na política, classifica como o maior gasto corporativo de 2026 em disputas federais.
O alvo principal
Sherrod Brown, senador por Ohio e antigo presidente da Comissão de Bancos do Senado, é o alvo mais caro. A indústria já gastou mais de US$ 68 milhões na disputa, uma das mais caras da história.

Brown lidera as pesquisas por margem estreita. Em 2024, o Fairshake ajudou a derrotá-lo, e o setor não esconde que quer repetir.
O que está em jogo de verdade
- Clarity Act: o projeto que colocaria a supervisão de cripto na CFTC está travado no Senado;
- Se os democratas ganharem uma das casas, a proposta fica mais difícil no ano que vem;
- Regras de agência: sem a lei, o que foi feito por reguladores no governo Trump pode ser desfeito pelo próximo governo.
O setor hoje vale cerca de US$ 2,75 trilhões, quase o triplo dos US$ 1 trilhão de 2023. E o medo declarado é 2029: o próximo presidente dificilmente terá o envolvimento pessoal de Trump com cripto, cuja família faturou cerca de US$ 2,3 bilhões com negócios do setor entre meados de 2024 e abril, segundo apuração da Reuters.
Conclusão
O gasto não é para eleger amigo do bitcoin. É para eleger gente que já ia ganhar de qualquer jeito, e que depois atende o telefone.
Para quem investe no Brasil, o efeito é indireto e real: regra americana define liquidez, custódia e listagem de exchange. A eleição de terça mexe no preço antes de mexer em qualquer lei.
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos envolvem alto risco.
Fonte: Reuters (reportagem original)
