A indústria cripto gastou cerca de US$ 176 milhões em mais de 100 disputas nas eleições americanas. Os democratas levaram a Câmara e o Senado mesmo assim.
É a conta mais cara que o setor já pagou para tentar influenciar uma eleição. E o troco veio em forma de Congresso hostil.
O que o dinheiro comprou
Nas primárias, funcionou. O Fairshake, maior comitê do setor, apoiou 58 candidatos e viu 53 vencerem. Gastou perto de US$ 150,8 milhões, boa parte por comitês com nome genérico, tipo “Protect Progress” e “Defend American Jobs”.
Nas gerais, não. Seis cadeiras do Senado trocaram de mão. Texas, Kansas e Carolina do Sul elegeram democratas para o Senado pela primeira vez em décadas. A Câmara ficou em torno de 260 a 173.
E já havia aviso. Em agosto, numa primária da Flórida, o Protect Progress despejou mais de US$ 2 milhões em anúncios negativos contra Oliver Gilbert. Gilbert ganhou com 34,4% dos votos.
US$ 2 milhões não derrubaram um candidato desconhecido. US$ 176 milhões não seguraram o Congresso.

O que a virada custa ao setor
- Clarity Act: a lei que definiria quem regula o quê fica travada, provavelmente até 2027;
- Investigações: os negócios de cripto da família Trump viram alvo natural de comissão democratada;
- O que não cai: orientações da SEC e da CFTC e a lei das stablecoins seguem valendo.
O detalhe que dói: os democratas do Senado já vinham pedindo regras de ética mais duras para o Clarity Act, justamente por causa dos negócios de cripto do clã Trump. O setor gastou para eleger aliados e ajudou a eleger quem quer investigar esses aliados.
Por que a conta não fecha
Comitê de ação política não compra eleição. Compra tempo de televisão, o que funciona em disputa de primária, onde o eleitorado é pequeno e a informação escassa.
Em eleição geral, o jogo é outro. O eleitor vota com o bolso, com o governo de plantão e com o humor do país. Nenhum anúncio de trinta segundos vence isso.
O mercado, aliás, tratou o resultado como não-notícia: o bitcoin chegou a cair para US$ 78.458 e voltou subindo 1,6%. Analistas do Bitwise e da CoinShares disseram que a virada já estava no preço.
O que sobra para 2027
Sem lei nova, o setor fica dependente de decisões de agência, que mudam de humor com o governo de plantão. É mais incerteza jurídica, não um evento de preço.
E fica a lição de casa para quem financia esse tipo de campanha: dinheiro compra acesso. Acesso sem maioria não vira lei, e maioria não se compra com anúncio.
Conclusão
A indústria cripto entrou nesta eleição como o grande financiador e sai como o grande derrotado. Não porque perdeu todas as corridas, mas porque gastou o maior orçamento da história e o Congresso virou contra ela de qualquer forma.
Para o leitor brasileiro, o efeito prático é este: a regra americana que define liquidez, custódia e listagem vai demorar mais para existir. Quem opera aqui continua dependendo de decisão de agência, não de lei.
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Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos envolvem alto risco.
Fontes: Reuters, Cointelegraph Brasil e Decrypt
