O roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance não foi uma operação de dias. Segundo registros de blockchain analisados por especialistas, a maior parte da movimentação aconteceu em cerca de 20 minutos, pouco depois das 17h de Brasília da quinta-feira (29).
O que aconteceu naqueles 20 minutos
A investigação inicial da Binance aponta que o ataque começou com o comprometimento do computador de um de seus engenheiros. A partir desse acesso, os invasores entraram em sistemas internos e dispararam saques não autorizados.
A TRM Labs descreve o mecanismo em termos técnicos: os hackers comprometeram a infraestrutura de assinatura de transações da exchange (a parte que autoriza movimentações) e, com isso, emitiram instruções para esvaziar carteiras usadas no processamento de operações.
Depois do primeiro movimento, a Binance identificou outros pontos de invasão, mas não divulgou quais são. O método é parecido com o do ataque à Bybit em fevereiro de 2025, quando criminosos levaram US$ 1,5 bilhão.

Quem conseguiu congelar o quê
Cerca de metade dos ativos foi bloqueada por empresas do setor, principalmente emissoras de stablecoins, moedas digitais atreladas ao dólar, que podem ser congeladas por quem as emite:
- Tether bloqueou aproximadamente US$ 1,57 bilhão em ativos ligados ao ataque;
- Circle, dona do USDC, congelou mais de US$ 800 milhões;
- a Ripple bloqueou cerca de US$ 200 milhões;
- a World Liberty Financial atuou com a custodiante BitGo para congelar recursos.
O que não vai voltar
Congelar não é recuperar. Segundo a Elliptic, os criminosos conseguiram converter cerca de US$ 3,3 bilhões em ativos digitais que não podem ser bloqueados, o que torna a recuperação desse pedaço bem mais difícil.
O congelamento, porém, limita a capacidade dos hackers de transformar o resto em dinheiro, e dá tempo para as autoridades rastrearem endereços.
O que a Binance promete
O co-CEO Richard Teng afirmou que clientes não terão prejuízo: a exchange vai cobrir as perdas com o fundo de proteção aos usuários (SAFU) e com recursos próprios. A Binance mantém um fundo de reserva de US$ 1 bilhão em bitcoin criado justamente para incidentes de segurança.
Segundo o Financial Times, a co-CEO Yi He disse que a receita anual da empresa é suficiente para bancar as perdas. A expectativa divulgada é retomar os saques nas 45 horas seguintes ao anúncio do ataque.
Conclusão
Vinte minutos e um laptop foram suficientes para o maior roubo da história do setor. O caso deixa duas lições práticas: dinheiro em exchange depende da exchange, e stablecoin é o único pedaço do mercado em que existe alguém capaz de congelar um roubo, o que também explica por que hackers correm para converter tudo em ativos sem emissor central.
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Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos envolvem alto risco.
Fonte: Exame (reportagem original)
