O bitcoin opera perto de US$ 77 mil, com queda de quase 5% em 24 horas, depois do hack de US$ 6,3 bilhões da Binance. O índice de medo e ganância do mercado cripto caiu para 30, faixa de “medo” que não aparecia desde agosto. A pergunta que todo mundo faz agora é se o bitcoin pode cair ainda mais.
O que ainda está no mercado
O primeiro ponto é o tamanho do estoque que o invasor tem na mão. A Bitquery rastreou 18.270 bitcoins (cerca de US$ 1,4 bilhão) em 19 endereços e 508.621 ether. A Coinbase informou ao regulador americano deter 18.071 BTC para investimento e operação, ou seja, o hacker tem mais bitcoin que a tesouraria da exchange concorrente.
Enquanto esse saldo não se mover, o mercado convive com a dúvida sobre uma venda abrupta. É o que o pessoal de mesa chama de oferta pendente.

Do outro lado, a Binance está comprando
A exchange reservou mais de US$ 6,34 bilhões em recursos próprios para cobrir as perdas, dos quais US$ 5 bilhões já estavam nos mesmos tokens roubados. Segundo a co-CEO Yi He, a empresa está comprando altcoins no mercado e em operações de balcão para repor o que foi levado, compra que pode demorar em tokens de liquidez baixa.
Isso cria um efeito curioso: ao mesmo tempo em que existe um vendedor potencial enorme, existe um comprador forçado. Os depósitos voltaram a funcionar, e a expectativa divulgada é retomar os saques em até 48 horas.
O que os analistas dizem
- Standard Chartered: Geoffrey Kendrick afirma que o episódio pode acelerar a migração para exchanges descentralizadas e mantém alvo de US$ 100 para o UNI até 2030, dizendo que o hack é “mais um motivo para essa projeção ficar baixa”;
- Wintermute e GSR, duas das maiores formadoras de mercado do setor, disseram ter exposição à Binance, mas limitada: menos de 20% e menos de 5% do patrimônio líquido, respectivamente, sem expectativa de disrupção operacional;
- Chainalysis: os investigadores relatam “padrões de lavagem nunca vistos”, com milhares de transações em pouco tempo, o que sugere automação para apagar o rastro.
O que observar nos próximos dias
- se o hacker mover os 18.270 BTC, qualquer transação tende a ser detectada em minutos;
- o comportamento do BNB, que caiu 8% e é o ativo mais exposto à exchange;
- a retomada dos saques: fila grande de resgates pressiona o preço para baixo;
- o índice de medo e ganância, que em 30 indica pânico, e pânico costuma exagerar movimentos nos dois sentidos.
E sobre comprar ou vender?
Não existe resposta única, e este texto não vai dar uma. Quem tem horizonte longo costuma olhar para fundamentos e não para o barulho de um fim de semana; quem opera no curto prazo está lidando com um mercado em que a informação muda de hora em hora. O que dá para afirmar é que evento de segurança em exchange não muda o código do bitcoin, muda o humor de quem o compra.
Conclusão
O mercado absorveu bem um roubo de US$ 6,3 bilhões: uma queda de 5% é pequena para o tamanho do susto, e o próprio Kendrick lembra que a reação foi menor que a esperada. O risco de novas quedas existe e tem nome, 18 mil bitcoins nas mãos de um invasor. O risco de alta também: uma exchange comprando bilhões para repor estoque. Nos dois casos, o que resolve é acompanhar a movimentação on-chain, não o boato.
Leia também: Binance sofre hack de US$ 6,3 bilhões, o maior da história cripto; Como US$ 6,3 bilhões saíram da Binance em 20 minutos.
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos envolvem alto risco.
Fonte: Cointelegraph (cobertura ao vivo) e dados da Bitquery e CoinGecko
